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quinta-feira, 5 de maio de 2011

Belo Monte é necessária? - Parte I

Galera, essa é a minha estreia no blog e resolvi tratar da construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, aqui no Pará. Vocês devem estar acompanhando a briga de foice envolvendo, de um lado, governos federal, estadual e municipais, grandes empresas do Brasil e do exterior, bancos públicos e privados nacionais e internacionais, mídia, parcela do judiciário, partidos políticos, parlamentares, fundos de pensão, organizações patronais e de trabalhadores; de outro, indígenas, ribeirinhos, grupos de mulheres, trabalhadores(as) rurais, ongs, alguns poucos parlamentares, pesquisadores(as), para citar alguns.

Bem, a primeira conclusão a que chegamos é de que a disputa é bastante desigual já que o primeiro grupo conta com enorme poder econômico e político, possui grande capacidade de manipulação da opinião pública, além de controlar um forte aparato repressivo usualmente utilizado contra os segmentos que se opõem ao projeto de construção da hidrelétrica.

A minha resposta à pergunta-título desse post é não. Belo Monte é desnecessária e pretendo apresentar a vocês alguns dos argumentos que comprovam isso.

Primeiramente uma curiosidade: a energia que nós utilizamos quando acendemos uma lâmpada, ligamos a televisão ou o videogame percorre milhares de quilômetros até chegar ali nas tomadas das nossas casas. Pois bem, aqui no Brasil se perde entre 15% a 18% da energia produzida somente nesse percurso hidrelétrica-nossas casas. Ou seja, são milhões e milhões de quilowats perdidos por ano somente porque os componentes dos fios que transportam a energia não fazem isso de modo eficiente. Enquanto isso, no Japão essa perda é de apenas 1%. Portanto, bastaria modernizar a rede de distribuição para que a oferta de energia aumentasse de forma espetacular, gastando muito menos recursos e com reduzidos impactos sociais e ambientais. Significaria uma oferta de energia bem maior do que toda a produção prevista para Belo Monte e as usinas Santo Antonio e Jirau - que estão sendo construídas em Rondônia, no rio Madeira - juntas.

Vocês devem estar se perguntando: então, porque o governo não faz isso se o dinheiro empregado vai ser bem menor, deixará de promover o alagamento de extensas áreas de floresta, bem como não deslocará milhares de famílias para áreas urbanas já demasiadamente caóticas? Ah, mais isso já é assunto pra segunda parte do post. Abraços.