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quarta-feira, 20 de junho de 2012

Eleição de mentirinha?

Recentemente ocorreram novas eleições na Grécia e o partido conservador Nova Democracia foi vitorioso. Este deverá formar o governo em aliança com o Partido Socialista (Pasok). Ambos defendem a agenda neoliberal imposta pela Alemanha e FMI à Europa: corte nos gastos sociais, revisão das leis trabalhista e previdenciária, austeridade etc.. Sem dúvida alguma os dois partidos estão entre os principais responsáveis pela situação caótica em que vive a Grécia e a extrema dificuldade porque passa sua população. Enquanto os bancos recebem fabulosas quantias de euros (aos bilhões) para se "salvar", a grande maioria dos gregos vive dias difíceis por conta do desemprego, do aumento da violência, do definhamento da democracia.

Alguém poderá objetar a afirmação acima dizendo que a democracia, apesar das turbulências sociais e econômicas, está preservada na Grécia já que a Nova Democracia chega ao poder amparada na "vontade das urnas". Contudo, como nos ensina o dito popular, o"buraco é mais embaixo". A Alemanha e outros países europeus, o Fundo Monetário Internacional (FMI), o conglomerado da mídia internacional e instituições financeiras do "velho continente" interviram de forma aberta nas eleições gregas, ao baterem na tecla de que a vitória do partido de esquerda Syriza levaria a Grécia a abandonar o euro enquanto moeda única, bem como resultaria no aprofundamento da crise que já é bastante grave. Eis o que nos diz um  artigo publicado recentemente no site OperaMundi sobre essa questão:
A crise da dívida iniciou entre 2004 e 2009, quando a Nova Democracia estava no poder e não só multiplicou por dois a dívida grega, como também maquiou as contas do país: apresentou um déficit de 6% do PIB quando, na verdade, este alcançava 16%. A Europa celebrou segunda-feira a vitória da Nova Democracia como uma salvação do euro. Nada pode ser mais falso: nenhum partido, nem sequer a coalizão de esquerda radical Syriza, optou por sair da moeda única. Berlim e os meios de comunicação fizeram um grandioso trabalho de manipulação: “não acreditamos neles, por isso votamos por Nova Democracia tapando o nariz”, dizia ontem um jovem eleitor da ND. O mais assombroso reside no fato de que a Europa pôs suas fichas na casa de um partido implicado até os ossos na debacle e em um homem cuja trajetória está cheia de variações incongruentes. 
O que está sendo vivenciado pela Grécia é o padrão que passou a vigorar, em especial, a partir da década de 1980 no mundo. A hegemonia neoliberal se materializou porque os países mais poderosos do planeta conseguiram fazer com que suas agendas política e econômica fossem assumidas pela maioria das nações sem grandes questionamentos. Esse processo contou com o envolvimento estratégico do FMI, Banco Mundial, Organização Mundial do Comércio (OMC), grandes grupos de comunicação, agências de classificação e outras instituições importantes. Bastava que um candidato ou partido sugerisse algo que se contrapusesse a um algum ponto de interesse da banca internacional, das transnacionais ou do G-7 para que fosse "implodido" por "comentaristas" políticos e econômicos, partidos e segmentos sociais conservadores e grupos empresariais. A perseguição se mostrava implacável, pois consideravam inadmissível o questionamento aos preceitos neoliberais: Estado mínimo, abertura comercial, privatização das empresas públicas, liberdade para a entrada e saída de capitais, cortes nos gastos governamentais, focalização das políticas públicas, desregulamentação do setor financeiro, revisão de direitos sociais etc.

Partido Nova Democracia

Quando um candidato ou partido não era considerado "confiável" pelo "mercado" as ameaças se apresentavam de diferentes formas: saída do capital estrangeiro, avaliação negativa elaborada pelas agências de classificação, especulação, aumento do dólar... Ou seja, só havia uma alternativa: ou o concorrente se enquadrava ou estava fora do jogo. Programas de governo se consolidaram como meras peças de ficção, pois os compromissos com a manutenção das políticas macroeconômicas é que realmente valiam, independentemente do que o/a candidato(a) dissesse à população. As próprias eleições mais pareciam rituais formalmente organizados, pois os "programas governamentais" já se encontravam definidos bem antes pela banca internacional e seus pares. Estes eram os "verdadeiros" eleitores.


Alexis Tsipras um dos líderes da Coalizão da Esquerda Radical Syriza
Hoje, há muitos questionamentos ao neoliberalismo. Todavia, isto não significa que seus pressupostos foram completamente abandonados. A situação no Brasil, no Peru, na Bolívia, na Espanha, em Portugal, na Grécia e em muitos outros países mostram o contrário.

A realização de eleições regulares, livres e transparentes são importantes para a consolidação da democracia em qualquer nação. Contudo, as últimas eleições na Grécia mostram que nem sempre é assim que a coisa funciona na medida em que os que realmente decidem os destinos dos gregos não possuem título, não entram nas filas e nem nas cabines de votação. A eleição foi de mentirinha?

O povo vai às ruas na Grécia

domingo, 11 de setembro de 2011

Por uma discussão mais consistente sobre a Divisão do Pará

Salve salve lasanheiros e lasanheiras.

É com imenso prazer que informo aos nossos (poucos) leitores que chegamos à nossa 80º (octogésima) postagem aqui no #LasanhaComFarinha. E nada mais justo que fazer uma postagem interessante e de bom conteúdo. É o que vou tentar, vamos lá.

Costumo pensar que uma roda de amigos num barzinho é um excelente termômetro da sociedade sobre temas polêmicos. Além daqueles tradicionais como política, religião e futebol, certas temáticas de época costumam gerar discursos efusivos, tempos em tempos. Essas discussões muitas vezes não tem uma base teórica lá muito apurada, no entanto reflete de forma bastante fiel o modo como a população ao todo enxerga a tal problemática.

Como ficaria o estado do Pará em termos geográficos.
A bola da vez das mesas de bar daqui do meu glorioso estado do Pará é a possível divisão do estado, no fim do ano. Não pretendo, com essa postagem, dizer a vocês no que votar. Na verdade, eu não sou muito diferente dos que não possuem a tal base teórica, porém ainda assim espero contribuir, de alguma forma, nas conclusões próprias, de cada um de vocês, ao fim do ano.

Na época que eu fazia cursinho, em 2007, um certo professor de geografia dizia que "os argumentos de quem quer dividir o estado são ridículos. Mas os argumentos dos que não querem dividir são piores ainda". Antes, eu não entendia muito bem o que ele queria dizer com essa ideia, mas hoje eu compreendo melhor. A discussão pela divisão do estado, como em qualquer discussão, se baseia nos interesses pessoais de cada pessoa: o desmembramento faz todo sentido pra quem mora nos possíveis estados e causa repulsa em quem mora no possível futuro Pará recortado.

É um fenômeno realmente impressionante o que tem acontecido aqui por essas bandas: uniões nunca imaginadas e prol de uma ou outra decisão. Explico: "Nunca antes na história desse" estado os grupos "O Liberal" (ORM) e "Diário do Pará" (RBA) defenderam tanto a mesma ideia. E isso tem uma lógica muito grande, pois ambos os grupos de comunicação vão perder bastante influência política. O poder de barganha com determinados políticos e segmentos da sociedade civil vai diminuir consideravelmente. Em contra-partida, nessa discussão os partidos políticos praticamente se desfizeram, pois os deputados federais e estaduais, vereadores e prefeitos que são do interior do estado mostram um apoio frenético à divisão. Veja bem, existem políticos do interior em todos os partidos, ou seja, independente de visão política os que são dos possíveis novos estados apoiam a divisão, enquanto que os da capital, região metropolitana e nordeste do Pará não querem a divisão.

Não existe nessa discussão PT, PSDB, PMDB, DEM, PSOL, PV ou outro: tudo depende de que lugar é o político. Na gestão do PT, que terminou no ano passado, a então governadora Ana Júlia Carepa defendia o estado unido, enquanto que seu vice (Odair Corrêa, se não me falha a memória) que é de Santarém era um dos maiores entusiastas da criação dos novos estados. 

Slogan da propaganda a favor da
manutenção da união do estado
A população em geral parece compartilhar da visão de seus políticos. Na região que irá continuar sendo Pará, mesmo que ocorra a divisão, é raríssimo ver alguém contra a divisão do estado. Predomina aqui o mesmo argumento vago de que vai ser gasto bilhões de reais na construção da infra-estrutura necessária aos novos estados. Por que é vago esse argumento? Porque é justamente o que a classe política local e mais os que vão perder poder de influência, como os grupos citados anteriormente, querem que a gente pense. Vejam bem, eu não estou aqui defendendo a divisão do estado, apenas quero mostrar que é preciso argumentos mais consistentes do que esse, pois todo ano os governos em geral desperdiçam bilhões em outras coisas, e até mesmo com desvio. Pra mim esse não é um argumento suficiente, e é o único que a população em geral usa. Ah não, tem outro também: "esses caras só querem dividir o estado pra roubar mais dinheiro pra lá!". Outro argumento que a imprensa vai martelar na nossa cabeça quando o horário político começar.

Slogan da propaganda a favor da divisão do estado.
Por outro lado, a população do interior do estado é quase unânime quanto a criação dos novos estados. O argumento deles é que vai trazer progresso o fato de terem autonomia de decidir o que querem pra eles. Puro engano. Isso é o que os políticos de lá querem que a população acredite. Se isso vai acontecer, é outra história. Fato é que muitos dos nossos amigos interioranos não se consideram paraenses. Isso ficou bastante visível pra mim quando fui à cidade de Santarém, oportunidade a qual pude perceber que eles possuem muito mais ligação com Manaus do que com Belém. Podemos ver várias faixas pró-Carajás nos jogos do Águia de Marabá, pela série C do campeonato brasileiro.

Visto isso, outro argumento usado por quem quer a união do estado é que a divisão do estado ia quebrar toda a identidade cultural da população paraense. Mas que idiotice! Os caras nem se consideram paraenses, imagina ter cultura paraense. O mais hilário é ver as propagandas do Diário do Pará na televisão, com a temática "Orgulho de ser paraense" e 95% das imagens mostradas são de Belém. Quer dizer que ter orgulho de ser paraense é ser de Belém?

To com medo de parecer que eu quero que o Pará seja dividido, mas são apenas pensamentos sobre a ignorância e até a hipocrisia que muitos dos que defendem a união do estado possuem. É mais que claro, meus amigos, que tudo isso gira em torno de interesses políticos e pessoais. Tem gente que é contra só por ser do contra, e não pode ser assim. É uma decisão importantíssima que deve ser tomada com muito conhecimento do assunto. Devemos analisar, por exemplo, a migração que esses novos estados vão sofrer, caso sejam criados. Marabá e Santarém tem capacidade pra absorver essa gente toda que vai pra lá? Essas cidades possuem infra-estrutura necessária pra todas as transformações que vão ocorrer? Belém não ficaria melhor com 500 mil pessoas a menos, circulando na cidade? Pense: menos engarrafamentos, menos filas nos hospitais e até quem sabe menos violência?

Temos que pensar no todo, o que é melhor para os quase 7 milhões de pessoas que habitam esse estado. O que é mais vantajoso pra todos nós. Não podemos nos prender a certas opiniões tendenciosas. Os jornais de nível nacional também se encaixam nesse perfil. Espero realmente que ao começar a propaganda gratuita no rádio e televisão, os argumentos de todos, seja contra ou a favor, tenham uma melhor base teórica, para que dia 11 de dezembro façamos a melhor escolha.

Beijo do gordo! Uou!

sexta-feira, 18 de março de 2011

Adultos Precoces

Salve, salve blogueiros de plantão, como já informado, fui convidado a contribuir com o queridíssimo Lasanha Com Farinha e estou aqui para fazer jus ao convite mandando meu primeiro post.

Bem galera, tenho quase certeza que todo mundo esta esperando um post relacionado ao que esta acontecendo no Japão, não é? Até poderia argumentar alguma coisa sobre, mas deixarei para os meus amigos essa façanha (\o/). Hoje venho falar sobre um tema que de certa forma tem haver comigo, gravidez na adolescência, pois pra quem não sabe comunico agora que vou ser papai (Hoooo!!).

Quem me conhece deve estar se perguntado: “pow tico, mas tu tem 23 anos” (auehuehea). Pois é, verdade, mas quando digo que tem haver comigo estou me referindo a questão financeira do assunto, pois todos sabemos que além do aspecto psicológico e os riscos de saúde que envolvem esse tipo de parto em uma gravidez precoce, existe também o lado financeiro que é aonde me encaixo(^^).


Navegando pelo assunto descobri dados alarmantes sobre o tema, tais dados mostram que adolescentes estão encurtando essa fase da vida devido a essa gravidez precoce e ao que ela acarreta. Nos EUA, estatísticas mostram que da década de 70 a 80, o nascimento de adolescentes grávidas aumentou 74% e atualmente 12,5% dos partos realizados nos EUA, correspondem a adolescentes, impressionante não?


No Brasil, a Pesquisa Nacional em Demografia e Saúde, de 2006, mostrou um dado alarmante; 14% das adolescentes já tinha pelo menos um filho e as jovens mais pobres apresentavam fecundidade dez vezes maior. Entre as garotas grávidas atendidas pelo SUS no período de 1993 a 1998, houve aumento de 31% dos casos de meninas grávidas entre 10 e 14 anos.

Já na Fundação Santa Casa, aqui de Belém mesmo, só no ano passado 323 casos foram recebidos, sem contar aqueles feitos diretamente, ou seja, sem o auxilio ou acompanhamento devido.

Bem pessoal, depois de todos esses dados fica a pergunta, por quê isso esta acontecendo? Todos nós sabemos que a adolescência é uma fase de descobertas, principalmente do corpo, até ai nenhuma novidade né? Agora junta isso com Emmanuely No Espaço (adorava *-*) e uma família cheia de tabus ou ausente, no que isso dá? Claro que existem muitos outros fatores, alguns que envolvem classes sociais e outros, aspectos psicológicos, mas acredito que os dois grandes impulsionadores são esses, mídia e família.

Por que a mídia? Ora ora caros amigos, basta ligarmos a televisão, que por sinal é uma hipocrisia só, que veremos cenas de beijos calientes e em alguns casos cenas que simulam o ato sexual, o que vai estimulando cada vez mais cedo a sexualidade das crianças. Pra completar temos a internet agora, que todos nós sabemos pode ser boa ou má dependendo do contexto. Atualmente navegar na internet é sinônimo de bombardeio erótico na tela, tornando um perigo deixar as crianças navegarem sozinhas, sem o acompanhamento de um adulto ou softwares que minimizam esses “bombardeios”.

Por que a família? Ora ora caros amigos, creio que a maioria das pessoas que irão ler esse post tiveram uma base familiar boa, essa base será fundamental para quando aquela amiga da sua filha falar que ser virgem não esta na moda ou aquele namorado falar que sexo sem camisinha é mais gostoso. Uma família sem tabus, preconceitos e presente com certeza possui uma probabilidade menor da ocorrência de fatos como esses.

Eu tive uma base familiar boa e de certa forma (com o tempo) elucidado quanto aos meios de comunicação, mas mesmo assim vou me tornar pai em Setembro, não foi uma gravidez planejada apesar de alguns amigos acreditarem que sim (xD). Realmente para mim foi um choque, como seria pra qualquer um jovem sem dinheiro que depende dos pais, mas hoje encaro a situação com outros olhos, fico na expectativa se o filho vai parecer comigo ou com o padeiro da esquina (kkkkkkkkkk). Brincadeiras a parte, a experiência de ser pai com certeza será algo que mudará a minha vida, todavia tenho certeza que com o apoio dos meus familiares e dos meus amigos conseguirei sustentar e educar o Ederbaldo (nome escolhido por mim se for homem xD).


O tema é muito abrangente, fico devendo o depois do nascimento e como esses adolescentes encaram essa nova vida, quem sabe tema para um outro post.

Bem people, espero que tenham gostado do meu primeiro post, desculpem desde já eventuais erros de português, pois nunca foi meu forte escrever e queria dizer também que estou aberto a criticas (mesmo que não estivesse, o povo massacra meRmo)e sugestões de temas para pesquisar e escrever sobre, vlw.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

E dá-lhe bregão!

É galera... Quebrei minha promessa... Pra quem ia postar todo dia hein? Uma semana sem postar é bem mal... Mas vamos lá ao que interessa:

O blog em questão fala sobre assuntos que dizem respeito ao cotidiano regional, correto? Então se a gente falar de música regional nós vamos falar do que? Axé? Pagode? Funk? Sertanejo? Não! De Calypso então? É, poderia até ser... De carimbó? Também poderia ser, mas não também. Vamos falar é do Brega, ou melhor, do Tecno Brega/Melody.

Carimbó tá caindo cada vez mais no esquecimento...

É meus amigos, essa é a nossa realidade musical. A música que (quase) todo paraense ouve e dança, é o Brega e suas variações. É claro que toca também todos aqueles outros ritmos, mas sem dúvida o mais tocado, pedido e aguardado em qualquer festa é o Bregão. Mas vamos fazer aqui um parêntese à um improvável internalta que não seja do estado do Pará e que esteja lendo essa humilde análise: Brega que eu falo, não é Reginaldo Rossi não, meu filho. Isso daí era o que a vovó ouvia e dançava quando ia pras festas dela, com o vovô. O Brega evoluiu muito, e é sobre isso que eu quero falar.

O Brega em si nunca foi considerado um ritmo musical, e sim um gênero. Associado muitas vezes à música romântica, ele tem suas origens lá pela década de 40 e 50, advindo do bolero. Na década de 70, passou a configurar-se em músicas românticas, de rimas fáceis e palavras simples, tendo como símbolo o eterno Reginaldo Rossi, o "Rei do Brega" (quem não lembra de "Garçom, aqui, nessa mesa de bar/ Você já cansou de escutar/ Centenas de casos de amor..."?). Sempre foi associado à pessoas de mentalidade pouco desenvolvida, pois era considerado um tipo de música "de mau gosto". A partir da década de 90, especialmente na região Norte, e mais especialmente ainda em Belém do Pará (minha cidade linda), o Brega tomou outros rumos.

Mas que cara bonitão que a vovó gostava de ouvir!

Como vocês podem ler na wikipédia, o chamado "Brega Pop" foi consolidado através das festas que rolavam em Belém, pois como os artistas de outros ritmos, tidos como nacionais, quase nunca vinham por essas lados, os "bregueiros" encontraram refúgio e fizeram carreira por aqui. Desse tal "Brega Pop" surgiu vários outros ritmos, pois começou-se a misturar vários ritmos e ver no que ia dar. Assim surgiu o Calypso. Assim surgiu o TecnoBrega.

É o Calypsooooo!
Geralmente, quem é de fora do Pará e ouve falar daqui e, entre outras coisas, pensa logo no Calypso. Mas ao contrário do que muita gente acha, essa banda só deu certo porque outras ralaram muito antes. O Tecnobrega fez no Pará que esse ritmo deixasse de ser vinculado ao povão exclusivamente, e o deu um caráter mais elitizado. O que não falta hoje é Plaboyzinho ouvindo Brega altão no seu carro, pela cidade. Hoje ouve-se esse tipo de música da Terra Firme (periferia) à Doca de Souza Franco (centro da cidade). E foi isso que ajudou à bandas como o Calypso a fazerem sucesso à nível nacional, pois cada vez mais esse ritmo vem sendo visto de forma menos preconceituosa.

Esse fenômeno que aconteceu aqui em Belém, é semelhante ao que aconteceu com o Axé em Salvador, com o Funk no Rio, o pagode em São Paulo, o Forró em Fortaleza ou o Sertanejo em Goiania. A grande mídia se apoderou desses ritmos nos últimos anos porque percebeu que poderia faturar com eles, é por isso que hoje em dia a Globo/Record/SBT/Band levam aos seus programas, pérolas como Luan Santana, Joelma, Ivete, Alexandre Pires/ Compade Washington entre outros. É tudo interesse comercial. Da mesma forma como tá acontecendo com o Rock nacional, cheio de Restart, Cine e NX Zero da vida. A mídia tá fazendo tudo ficar pop, todos os ritmos serem aceitos pela sociedade. Porque eles são bonzinhos e querem fazer todo mundo ser amiguinho? Não! Porque eles querem lucrar com isso, só.

Mamãe, eu quero ser, mamãe!
Isso tudo é a banalização da música. Corrói as mentes jovens do nosso país. Mas tá, eu não to aqui pra falar disso, eu vim aqui pra falar de Brega. Sinceramente? Eu não gosto de ouvir nenhum desses ritmos. Ouvir mesmo, eu ouço só Rock, e quando ouço. Antigamente eu tinha ódio de outra coisa que não fosse Rock, mas hoje em dia não. No dia em que eu precisei aprender a dançar por necessidade de não mais ficar olhando os caras ficarem com as meninas, unica e exclusivamente porque eles sabiam dançar (e até hoje eu não sei direito), eu mudei bastante minha opinião sobres vários ritmos. Curto dançar Brega e Forró. Só não consigo ainda curtir muito Pagode e Raggae, mas nada de preconceito.

Eu acho que todos esses ritmos vem da cultura de cada parte do país, e que é importante respeitá-los, apesar de que nenhum deles traga algo realmente importante nas nossas vidas além de sair da pedra. Mas o preconceito com o Brega em relação à pessoas de fora do estado e até daqui mesmo não dá pra entender. Eu sinto que é muito mais pelo ritmo ser oriundo daqui do norte do que por outra coisa. Existem Funks muito piores, ou ainda Axés. E o povo curte que é uma beleza. Mas falou de Brega aí o povo torce o nariz.

Cara, merda por merda, eu prefiro o Brega porque é daqui, do meu estado. Festa de aparelhagem só dá ladrão? Não, tem muito mauricinho lá também, seja na Pororoca, na Metrópole, no Vadião ou na sede do Ipanema. Eu axo até graça das letras, vocês não? Quem nunca achou graça das letras do Super Pop, Príncipe Negro, Rubi, Tupinambá, Novo Vetron, Brasilândia e outros?

Os DJ's do Super Pop fazem sucesso! Grita meu Águiaaaaaa!!!

E as letras das músicas? Eles pegam ritmos já conhecidos, colocam uma batida eletrônica, fazem uma letra morta da escrota e tá feito! E o pior que essas merdas viciam! Quem nunca ficou com uma música dessas na cabeça, o dia todo? E o pior é que por esses dias, eu tava um tanto abalado psicologicamente, e então essas porras não saiam da minha mente, porque até faziam sentido um pouco. Imagina então quem não tem muito o que pensar? Fica fissurado nelas!

Pra galera relembrar um pouco as pérolas:

"Eu sou é da galera da Golada/ Trás um balde de gelada/ Que a festa vai rolaaaar!"

"Me consome tanta dor/ Uma noite de aventura/ Foi o tempo que durou/ E não vê que por dentro me consome tanta dor?"

"Não quero namorar, não quero compromisso/ Eu só quero ficar uma noite contigo/ Ficar agarradinha, assim fazendo amor/ Só por uma noite de amor/ Se você quiser eu vou"

"O amor me levou onde nunca pensei/ Que pudesse chegar/ Por caminhos estranhos eu andei/ Até te encontrar"

"Só mais uma chance vai?/ Outro amor não há/ Que me faça esquecer nós dois/ Você é mais que o céu e o mar/ A estrela e o luar/ You say good Bye!"

"Bate, esfrega e estica/ Tira roupa que eu quero te ver/ Cola o teu corpo no meu corpo/ Que eu quero te ter"

"O bico do peito do Chico preto é preto/ Quem disser que o bico do peito do chico preto não é preto/ Tem o bico do peito mais preto/ Que o bico do peito do Chico Preto"

"O Rupinol é uma droga perigosa/ Que a gatinha usa para lhe roubar/ Quando ela bota no seu copo/ Você
e fica rupinado e no final ainda sai roubado"

"A nossa história, o nosso amor/ Se transformou em ilusão/ Agora estou sofrendo com esse sentimento/ Que machucou e feriu meu coração"

"Morena, sereia/ o amor que eu sinto é maior que a maré cheia/ Morena, sereia/ Eu vivo sonhando que estou te amando na areia"

"Pare um pouco e pense mais/ Se você se vai/ Pelo menos deixa o telefone pra eu te ligar/ E se voltar atrás/ Eu prometo meu amor nunca mais te fazer chorar"

"Eu sou maluca/ Sou louca por você, louca!/ Volta amor pro nosso ninho se não vou chorar"

"O que pensa o que eu sou?/ Se não sou o que pensou/ Me libera, não insista/ Vá viver um outro amor"

"Amor à primeira vista/ Parece que foi tudo tão intenso, eu quero ter amar/ Não vá sem dizer o seu telefone, eu preciso saber/ Estou como criança perdida"

"Ela tá bêba doida/ Ela tá bêba doida/ Ela tá bêba doida/ Tá bêba? Tá doida!"

"Na vida loka é assim/ Eu parto pro tudo ou nada sem saber se eu volto/ Só tenho você por mim/ Então não me abandona amor/ Eu te imploro"

"Sou um cara malucão/ Minha história é curtição/ Fim de semana é tradição/ Vou pra night curtir um som"

"O nosso amor/ Todos querem por um fim/ Querem nos afastar/ E tirar você de mim/ Eu amo você/ E não importa o que vão dizer/ Eu quero só você"

"Eu sou lobo mau/ Au au/ Eu sou lobo mau/ Au au/ Eu sou lobo mau/ Au au/ O que você vai fazer?/ Eu vou te comer/ Eu vou te comer/ Eu vou te comer/ Eu vou te comer"

O Tecnobrega tá fazendo tanto sucesso que os Baianos tão dizendo que foram eles que criaram. Tá foda.

E aí, lembraram dos "Suuuuuucessoooos"? Cara, eu sei que muita gente vai falar que eu gosto de brega e vai meter o pau nesse post (o Lucas principalmente). Mas beleza, não precisa vocês concordarem comigo. Só queria mostrar que o brega é uma merda como outra qualquer, e que não gostar dele implica não gostar das outras também. E que a mídia tá fudendo com a nossa música. E que merda por merda, prefiro o Brega, que é daqui.


É isso. Aguardando os posts de quem quiser colaborar comigo aqui no Blog. 0/

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Nova tendência Internética

Depois de muita resistência, aqui estou eu.

Um cara que é técnico em Informática, com formação para a criação de sites, não poderia sozinho frear a nova tendência internética (cujo termo acredito eu mesmo ter criado): ter um blog.

Flogão tá mais que ultrapassado. Orkut e Msn todos têm. O que faltava? Um blog ora. Resolvi aderir à tendência finalmente, depois de muita luta. Sei lá, sempre achei que não precisava de um. E na verdade, continuo não precisando. Mas sabe quando bate aquela vontade de ter uma coisa sua, na qual você se orgulhe, porque aquilo reflete o seu ser?

Pois é, talvez um blog me dê isso novamente. Não mais como o meu flogão, que eu contava a Deus e o mundo todas as minhas aventuras corriqueiras, principalmente as amorosas. Não. Posso até falar, mas não será esse o foco. No cérebro de Alexandre Ferreira, o amor e as mulheres tem espaço bem importante, verdade, mas existem muitas outras coisas importantes nesse universo a fora.

Tudo que eu achar interessante comentar, sejam filmes, séries, entrevistas, tendências educacionais, o desmatamento da amazônia, dicas de como fritar bem um ovo, e outros mais, serão comentados. Pra depois que eu ficar famoso, seja lá pelo que, verem o que eu pensava antes de tal fato acontecer.

Sejam bem vindos ao universo de um cara de óculos, atualmente um pouco acima do peso, que gosta desde assuntos inteligentes a passar horas e horas falando dos campeonatos regionais, nacionais e internacionais de futebol.