Um blog que fala de tudo que nos interessa, em nível regional, nacional, mundial e até mesmo interplanetário. A lasanha italiana com a farinha paraense, juntos, fazem parte de um dos cardápios mais originais já existentes... Degustem a partir de agora um pouco dessa interessante mistura. ^^
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Olhar
Trago em mim
todas as dores
do mundo
a esperança
no futuro
e o olhar atento
por cima
do muro
Guilherme Carvalho
noite de 23/05/2012
sábado, 19 de maio de 2012
Conectado
Minha mente navega
pela imensidão do cosmos.
Meu cérebro está conectado
a todas as estrelas.
Os olhos, por sua vez, irradiam
megatons de pura energia.
Viajo por Escorpião
mergulho em Aquário
vou até Andrômeda
e roubo um facho de luz
para realçar tua beleza.
Flutuo na escuridão infinita
buscando compreender
o próprio sentido da vida.
Guilherme Carvalho
noite de 18/06/2004
pela imensidão do cosmos.
Meu cérebro está conectado
a todas as estrelas.
Os olhos, por sua vez, irradiam
megatons de pura energia.
Viajo por Escorpião
mergulho em Aquário
vou até Andrômeda
e roubo um facho de luz
para realçar tua beleza.
Flutuo na escuridão infinita
buscando compreender
o próprio sentido da vida.
Guilherme Carvalho
noite de 18/06/2004
sexta-feira, 11 de maio de 2012
QUE ME PERDOEM...
Que me perdoem os justos...
mas este mundo é uma máquina de triturar esperanças.
Que me perdoem os céticos...
mas suas condutas somente reforçam os conservadores e seus planos de dominação.
Que me perdoem os românticos...
mas o amor virou uma mercadoria.
Que me perdoem os fortes...
mas sua fortaleza é fundada no medo.
Que me perdoem os fracos...
mas sua covardia é contagiosa.
Que me perdoem os tementes a Deus...
mas sua fé está na base de muitas guerras.
Que me perdoem os descrentes...
mas a intolerância é um punhal que dilacera.
Que me perdoem os otimistas...
mas sua cegueira é perigosa.
Que me perdoem os pessimistas...
mas seu comodismo é alienante.
Que me perdoem as mulheres..
mas deveriam amar incondicionalmente a si mesmas.
Que me perdoem os homens...
mas deveríamos ser menos homens e mais gente.
Que me perdoem as crianças...
por acharem que deixaremos um mundo melhor para elas.
Guilherme Carvalho
Noite de 11 de maio de 2012.
mas este mundo é uma máquina de triturar esperanças.
Que me perdoem os céticos...
mas suas condutas somente reforçam os conservadores e seus planos de dominação.
Que me perdoem os românticos...
mas o amor virou uma mercadoria.
Que me perdoem os fortes...
mas sua fortaleza é fundada no medo.
Que me perdoem os fracos...
mas sua covardia é contagiosa.
Que me perdoem os tementes a Deus...
mas sua fé está na base de muitas guerras.
Que me perdoem os descrentes...
mas a intolerância é um punhal que dilacera.
Que me perdoem os otimistas...
mas sua cegueira é perigosa.
Que me perdoem os pessimistas...
mas seu comodismo é alienante.
Que me perdoem as mulheres..
mas deveriam amar incondicionalmente a si mesmas.
Que me perdoem os homens...
mas deveríamos ser menos homens e mais gente.
Que me perdoem as crianças...
por acharem que deixaremos um mundo melhor para elas.
Guilherme Carvalho
Noite de 11 de maio de 2012.
sábado, 5 de maio de 2012
HERANÇA
Toda vez que vejo meus filhos se divertindo
e sem maiores preocupações fico imaginando como eles serão quando crescerem.
Certamente, como qualquer pai, quero que eles sejam felizes, honestos e
solidários. Dou-lhes carinho, educação e atenção. Dou-lhes comida, os visto e
os levo para passear. Mesmo assim duas perguntas não saem da minha cabeça: É o
suficiente? O que deixarei para eles?
Quando se trata de filhos é
sempre difícil saber se fizemos o suficiente. O mais provável é que uma
sensação de que se podia fazer algo mais permanece ao longo da vida dos pais.
Não que isso vá redundar necessariamente num sentimento de culpa incontornável.
Não é isso. Quero apenas ressaltar que a felicidade dos pais está intimamente
relacionada à felicidade dos filhos. E creio que o inverso também seja
verdadeiro.
Quanto à segunda pergunta: o que
deixarei para os meus filhos? Bens materiais? Alguns certamente. Todavia, por
incrível que possa parecer, essa é a questão mais bem resolvida na minha
cabeça: deixarei a eles boas lembranças. Lembranças das vezes que fomos juntos
à praia ou que ouvimos músicas, dos carinhosos olhares, das trocas de afeto,
das vezes que tentamos identificar estrelas e constelações lá no interior do
estado, das caretas e poses que fizemos para as fotografias de família, das
pequenas confidências, das piadas que trocamos pela internet, das revistinhas
que lemos juntos, das vezes que os busquei nas festinhas, das brincadeiras por
causa do crescimento dos pêlos e de outras partes mais, da atenção dada quando
eles ficaram doentes. Enfim, por conta desses e de outros detalhes preciosos.
As boas lembranças serão a
condição da minha própria imortalidade. Não entendeu? É que por causa das boas
lembranças gravadas na mente e no coração dos meus filhos eles terão o maior
orgulho de falar de mim para os meus netos, que por sua vez falarão para os
seus filhos e assim por diante. Guardarão com carinho meus livros, meus discos,
minhas lembranças e meus ensinamentos.
Sabem com quem aprendi isso? Com
o Menino Maluquinho. Foi com ele que descobri que se um cara é legal quando
adulto, é porque ele foi um menino feliz. E meninos felizes têm boas
lembranças.
Manhã
de 17/08/2003
DIVAGAÇÕES
O
corpo pede descanso
Mas
a mente devaneia
Os
músculos querem arrego
A
cabeça incendeia
Novas possibilidades às vezes provocam situações
inusitadas: corpo e mente afastam-se simultaneamente por alguns momentos e não
é nada fácil aproximá-los. Enquanto a mente vagueia por caminhos e lugares onde
nunca estivemos, o corpo parece preso a uma âncora. Tornar esses momentos de certa
angústia em algo criativo é a melhor forma de quebrar a corrente da ansiedade.
Madrugada de 24/10/2002
Olhar que trai
No centro do ser
Existe luz
Que transpira
No ver
Que imagina
Qualquer gesto
Querendo saber
No centro do ser
Existe luz
Que inspira
Que seduz
Que observa
Que vigia
Querendo compreender
No centro
A gente chora
Quando os olhos
Tentam tão longe querer
Saber todas as almas
Saber toda dor
Querer por força
Desvendar todos os segredos
Da visão do amor.
Em parceria com Antonio Oliveira
Belém (PA), 17/09/2000
terça-feira, 1 de maio de 2012
Quem é essa "opinião pública"?
É muito comum grandes empresas de comunicação apresentarem-se através de matérias jornalísticas e/ou das análises de seus/suas comentaristas como representantes da "opinião pública". A "opinião pública pensa isso", a "opinião pública não tolera mais", a "opinião pública exige providências" bradam eles e elas a todo momento. Mas quem diabos é essa opinião pública?
Com o avanço das novas tecnologias as corporações empresariais da comunicação têm perdido paulatinamente o monopólio da informação. Hoje, não adianta mais o Jornal Nacional, a VEJA, o Estadão, O Globo e a Folha de São Paulo, por exemplo, omitirem informações que lhes são indesejadas por conta de acordos ou negócios que mantêm com determinados grupos políticos e econômicos. Observe o caso Carlinhos Cachoeira/Demóstenes Torres. Está ficando cada vez mais evidente a vinculação do Grupo Abril, responsável pela revista Veja, com o esquema criminoso. Não obstante, os veículos citados acima batem na tecla de que a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) investigará a relação do bicheiro com políticos e partidos. Escondem que jornalistas e grupos de comunicação também são alvos das investigações. E não se assustem: caso o Roberto Civita e Policarpo Junior, presidente do Grupo Abril e chefe da sucursal da VEJA em Brasília, respectivamente, sejam convocados pela CPMI seremos inundados de matérias sensacionalistas denunciando atentados contra a liberdade de imprensa e à democracia. Entretanto, liberdade de imprensa e libertinagem das empresas de comunicação não são a mesma coisa.
Ao que tudo indica o que houve nesse episódio envolvendo a VEJA e o bicheiro foi uma associação criminosa para atingir fins ilícitos. Foram usados diversos expediente ilegais como escutas clandestinas, invasão de privacidade, extorsão, desvio de recursos públicos, acusações mentirosas etc., para garantir a expansão das atividades do grupo de Cachoeira. Matérias "plantadas" na imprensa tinham como objetivo afastar concorrentes e/ou abrir "novas oportunidades" de negócios ao bando. Em troca, a revista tinha acesso a informações obtidas ilegalmente para detonar o governo federal e aliados em favor da oposição. Há, inclusive, a confirmação de pagamento de "mensalinho" a jornalistas como Claudio Humberto (ex-porta voz do Collor) e Mino Pedrosa (da revista Isto É) para "ferrar" com os adversários do bicheiro e de seu grupo. Muitos outros parecem ter sido "agraciados" com os "mimos" de Cachoeira.
Os grupos empresarias de comunicação - com exceção neste momento da TV Record e do site do Terra - não informam que durante o mandato de governador de São Paulo, José Serra repassou cerca de R$ 34 milhões à VEJA por conta da compra de exemplares da revista e de outras publicações do Grupo Abril para escolas. Todavia, segundo diversos educadores, esses materiais não eram adequados para o trabalho pedagógico com as crianças.
Enquanto o Globo e todas as outras buscam relacionar a Delta, uma das grandes beneficiárias do esquema criminoso de Carlinhos Cachoeira, com o governo Sérgio Cabral (RJ), "esquecem-se" que o governo de São Paulo durante as gestões de Alckimin e Serra repassaram mais de R$ 900 milhões àquela empresa e há possibilidades reais de que tenham ocorrido desvios de recursos em muitas obras, em especial na ampliação da marginal do rio Tietê, cujo custo por quilômetro é superior ao da construção do Eurotunel, sob o Canal da Mancha, que liga a França à Inglaterra; obra muito mais complexa que a realizada em São Paulo.
Os grupos empresariais de comunicação decidiram que isso não é importante e que à "opinião pública" somente interessa averiguar questões secundárias desse intrincado esquema de corrupção que atinge diversos estados, vários partidos políticos da situação e da oposição, membros do poder judiciário - inclusive há suspeitas sobre determinado ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Contudo, para nós, a "opinião pública", interessa saber quem roubou, quanto roubou, como esses valores serão ressarcidos aos cofres públicos e de que forma funciona o esquema criminoso que envolve jornalistas e empresas de comunicação na tentativa de gerar sucessivas crises institucionais. Queremos tudo apurado, julgado e os criminosos na cadeia; sejam eles quem forem. E não adianta sonegar informações porque isso é simplesmente impossível no mundo atual.
Nosso país jamais será uma democracia se continuarmos tutelados pelas corporações empresariais da comunicação. Sigamos o exemplo da Inglaterra que está apurando as ações criminosas do dono de um império jornalístico mundial, o "empresário" australiano Keith Ruperth Murdoch. Lá foi a própria imprensa quem denunciou as ações criminosas do grupo. Cortou na própria carne. Aqui, Pilatos é o santo da Globo, VEJA, Estadão, Folha e outros.
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domingo, 29 de abril de 2012
Toda glória e poder ao deus mercado globalizado!
Há situações em que parecemos dominados por forças sobrenaturais. Entidades etéreas cujo poder sobre nossas vidas se mostram avassaladoras. No Brasil, de Collor em diante um desses zumbis se chamou "as forças do mercado". Tudo passou a ser sacrificado no altar da nação em glória e honra desse ente tão falado, mas nunca visto, cheirado e/ou tocado. Não obstante, com poder suficiente para varrer do mapa as economias de diferentes países, e jogar na miséria milhões e milhões de pessoas.
Segundo os ideólogos da doutrina neoliberal, a "mão invisível do mercado" tudo podia pois sob seu controle estava o poder de mudar o destino da humanidade. De acordo com eles, para melhor. Glória! Glória! Aleluia" Aleluia! Gritavam exultantes seus humildes servos. Até decretaram o fim da história. A partir da globalização capitalista não haveria outra coisa senão o "nada". Restava, então, nos conformarmos e pedir à suprema onipotência e onisciência da economia desregulada que nos protegesse de todo o mal, e que tivesse complacência com os nossos pecados mundanos.
A partir do final dos anos 1970 dois grandes sacerdotes surgiram a revelar a "boa nova" neoliberal: Ronald Reagan e Margareth Thatcher, então presidente dos EUA e primeira-ministra do Reino Unido, respectivamente. Bancos Centrais, Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Mundial (BIRD), Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e Organização Mundial do Comércio (OMC) e outras instituições logo se converteram em templos sagrados da nova (des)ordem mundial. Muitas universidades colaboraram para a confirmação dos dogmas neoliberais - veja o filme Inside Job; parlamentos, grande parte dos partidos políticos, do judiciário e da mídia corporativa se tornaram fiéis pregadores da globalização capitalista.
Analistas econômicos assumiram a nobre missão de convencer os incautos de que o "reino" finalmente havia sido alcançado. O progresso tão almejado finalmente mostrava-se em toda a sua plenitude. Somente os hereges não enxergavam isto. Não obstante, o "deus mercado" exigia sacrifícios. E esses sacrifícios aumentavam exponencialmente quanto mais os servos se aproximavam da base da pirâmide social, mas isso um mero "detalhe".
"Nosso "deus" necessita de sacrifícios para aplacar sua ira e nos conceder o direito de viver", gritavam exaltados os clérigos e os crentes da nova (des)ordem. Privatizemos nossas empresas e bancos públicos, pois são ineficientes; abramos nossa economia à concorrência internacional e a desregulemos, afrouxemos a fiscalização sobre a atuação do setor privado, permitamos que as humildes corporações transnacionais possam remeter seus lucros ao exterior sem quaisquer constrangimentos. A Tábua das Leis foi alterada. Os mandamentos foram reduzidos a alguns considerados essenciais:
1. Amarás o "deus mercado" acima de qualquer coisa e lhe serás fiel até o fim dos dias dos bilhões de miseráveis que sucumbirão por não serem úteis ao sistema;
2. Amarás o dólar, o euro, o yen e outras moedas valorizadas como a ti mesmo;
3. Não julgarás os pastores e as instituições que pregam a nova (des)ordem mundial, mesmo que tenham roubado, fraudado, enganado ou desviado recursos públicos, pois ninguém possui estatura moral para atirar a primeira pedra;
4. Os servos excluídos da ciranda financeira global devem resignar-se com o destino a eles imposto, pois esse é o desejo do "deus mercado" e nada e ninguém pode contradizê-lo;
5. Os hereges serão condenados em vida pela mídia e pelos órgãos de repressão do Estado. Aos hereges restará carregar sobre os seus ombros os pecados do mundo e pagar por eles no inferno.
Todavia, o "reino" que era para durar mil anos resistiu um pouco mais de duas décadas. A economia cresceu - quando cresceu - de forma inexpressiva, os conflitos sociais se exacerbaram, assim como o número de miseráveis nos quatro cantos do mundo. Os Estados nacionais que se converteram nos grandes arautos da religião neoliberal quebraram, faliram. Contraditoriamente, porém, os dogmas da nova (des)ordem continuam firmes a embalar os sonhos de muitos governantes, dos analistas econômicos e da mídia em geral, de membros do parlamento e do judiciário, entre outros. As corporações transnacionais estão mais poderosas do que nunca, especialmente as do setor financeiro. As crises que abalam Grécia, Portugal, Espanha, Itália, França, Grã-Bretanha, Japão e EUA converteram-se em fonte adicional do aumento de poder das avaliadoras de risco - como a Godman Sachs -, dos bancos (agiotas institucionalizados) e de uma gama minúscula de endinheirados, incluindo o narcotráfico e o tráfico de armas e de mulheres. Em conjunto, é a nova forma do crime organizado sob a face da terra da qual a associação Carlinhos Cachoeira, Demóstenes Torres, Veja, Globo, Folha de São Paulo e Estadão é apenas uma ponta do titânico iceberg ainda sob o manto da impunidade.
sexta-feira, 20 de abril de 2012
Aos amigos que partem cedo.
As pessoas boas deveriam ser obrigadas a ficar conosco mais tempo, a fim de nos ajudar a sermos melhores. A pressa com que elas passam por este plano nos deixa a dúvida se isso é um sinal positivo de que caminhamos para algo mais saudável ou, pelo contrário, significa que as coisas tendem a ficar piores.
Não tenho certeza, mas parece que no livro dos Macabeus, Antigo Testamento, há uma questão sobre a morte de jovens. É que eram considerados virtuosas as pessoas que morriam bem velhinhas. Seriam as agraciadas de Deus. Ocorre, porém, que muitos jovens morriam nas guerras e isso acabou provocando uma celeuma: estes não eram amados por Deus?
Não seria legal se num mundo tão conturbado como o nosso as pessoas de bom coração ficassem aqui por mais tempo para nos ajudar a melhorá-lo? Alguns podem dizer: mas Deus estava precisando delas. E nós, não estamos precisando muito mais? Não, não estou afirmando que Deus é injusto. Contudo, o mundo fica mais injusto sem essas pessoas.
Estou escrevendo isso por causa da morte do amigo Valmir Bispo. Estudamos juntos no curso de História da UFPA lá pelos idos da década de 1980. Militamos juntos no PT por muitos anos, sempre em agrupamentos políticos diferentes. Ao pensar nele constatei que nunca, em tempo algum, presenciei algum gesto da sua parte que eu poderia classificar como autoritário ou desrespeitoso. Pelo contrário, sempre foi um doce de pessoa, um sujeito tolerante.
Valmir sempre defendia seus pontos de vista firmemente, mas jamais com agressão. Em vários momentos estivemos em campos opostos dentro do PT. Todavia, as lembranças que guardo dele são as melhores possíveis.

No último dia 29 de março nos encontramos pela última vez. Foi quando integrei uma mesa de debates durante o Encontro Pan-Amazônico de História Oral. Lá estava ele sentado na última fileira da sala. Terminada a atividade nos encontramos lá fora. Nos abraçamos. Ele perguntou se eu tinha o email dele e eu respondi que sim. Disse ele: "vamos nos encontrar qualquer dia desses pra batermos um papo". Concordei e nos demos mais um abraço. Foi a última vez que nos vimos.
A marca dele era ter um grande sorriso na face. Aliás, parecia estar sempre sorrindo, feliz com a vida: seja dançando no Arraial do Pavulagem, seja trabalhando pelo fortalecimento das manifestações culturais no nosso estado.
Anos atrás foi o Manoel Amaral que partiu. Este era mais duro na defesa dos seus pontos de vista. Não aliviava durante o debate, mas tinha um coração tão grande quanto ele. A convivência no PT se transformou numa grande amizade. De vez em quando visitava a casa dele. Ficava me perturbando pra que eu participasse dos jogos de futebol de salão que ele e outros promoviam toda semana. E mesmo quando ele se filiou ao PSOL jamais deixamos de nos falar, ou de debatermos sobre a política local e os rumos da esquerda.

Também nunca integramos o mesmo grupo político, mas isso jamais foi obstáculo entre nós. Trocávamos ideias, divergíamos e, ao final, tudo se resolvia com boas gargalhadas. O maior defeito dele era ser um fanático torcedor do Payssandu. Mesmo isso se transformou em mais um motivo de fortalecimento dos nossos laços de amizade.
Ao lembrar do Valmir e do Manoel me dou conta de que é plenamente possível a convivência com quem pensa diferente da gente. Também ficou mais evidente que a militância não retira a ternura das pessoas, não as torna insensíveis. Se havia uma coisa em comum entre os dois era a paixão pela vida, o carinho com a família e com os amigos.
Tudo isso também serve para o Carlinhos Galiza que morreu semana passada por causa de um acidente doméstico. Ele que ajudou a formar toda uma geração de militantes através do trabalho pastoral da Paróquia de São Sebastião, na Sacramenta, em plena ditadura militar. Com o apoio resoluto dos padres João Beuckenboon e Tiago Widen, diga-se.
Por que os bons partem cedo? Querem nos colocar à prova? Quais seriam os motivos? O mundo empobrece com a partida deles. A vida de quem conviveu com eles fica mais triste e não há como disfarçar completamente um certo sentimento de revolta que nos corrói por dentro.
Concluo com um singelo poema que escrevi tempos atrás:
PERDAS E GANHOS
O medo da perda
É algo que nos consome
Dilacera nossa alma
Paralisa nossas forças
Abismo é seu nome
O medo da perda
Torna a vida mais dura
Ossifica o pensamento
Envelhece a juventude
Aprisiona a aventura
O medo da perda
Confunde os nossos sentimentos
Nos faz dominar o outro
Limita os nossos passos
Rouba nossos melhores momentos
Porém, a perda é prima-irmã da vida
Faz parte do nosso ser
É a dor que nos ensina
É o fato que nos lembra
Que pra germinar é preciso morrer
terça-feira, 17 de abril de 2012
Deus é Matemático
Olá, galera!
Nessa minha postagem de retorno, tenho certeza que muita gente não vai concordar comigo, mas pretendo apenas expor uma concepção de mundo que eu tenho há muito tempo. Então podem vir as críticas, sem problemas.
Dia de segunda-feira a noite aqui em casa geralmente assistimos ao CQC da Band, um programa que já foi melhor antigamente, mas que ainda rende algumas boas risadas. No entanto, o jantar em família de algumas horas atrás nos fez esquecer do programa que vemos rotineiramente, isso porque começamos a falar sobre alguns assuntos que podem ser facilmente discutidos em ocasiões como essa: Religião, viagem no tempo, Positivismo, Filosofia, Big Bang, Matemática, Teoria do Caos, Probabilidade, surgimento da vida, alienígenas, futuro da humanidade, entre outros.
Enfim, foi um jantar pra lá de proveitoso, que durou horas e nos fez esquecer da programação rotineira. Porém eu vim aqui falar da opinião que eu externei para os meus familiares, na tentativa de fazer com alguém concorde comigo, já que eles o fizeram no máximo de forma parcial. Minha teoria (quando digo minha, não quero dizer que eu a criei ou que ninguém tenha falado sobre isso antes de mim, e sim que eu sempre pensei dessa forma) é que o que concebemos hoje como Deus, criador de tudo e de todos, é o maior matemático de todos os tempos.
Ou talvez um engenheiro, que seja, o importante é que ele gosta muito de matemática. Talvez você esteja pensando: "Lá vem esse positivista dizer que a ciência explica tudo!", mas calma, deixa eu tentar explicar, antes de você discordar.
Muita coisa que diz respeito à natureza, seus fenômenos como as chuvas, terremotos, disposição de átomos, leis da física, etc., podem ser explicadas através de recursos matemáticos. Existem coisas realmente surpreendentes na natureza pra simplesmente terem sido obras meramente do acaso. Um bom exemplo disso é a relação entre o animal aquático nautilus, a disposição dos galhos de uma planta e sequência de Fibonacci. Pra quem não lembra, Fibonacci foi um grande matemático italiano nascido no século XII, o qual ficou conhecido, entre outras coisas, por ter elaborado uma sequência de números que começava com o número 1 e os próximos números eram a soma dos dois números anteriores: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89...
| O formato do Náutilus se dá conforme a sequência de Fibonacci. |
| A quantidade de galhos de uma planta cresce conforme a sequência, também. |
Há muitos outros exemplos, inclusive com o chamado "Número de Ouro" da natureza, que podem ser vistos nesse site: http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2002/icm203/numeros.htm (Vale muito a pena dar uma conferida, não custa nada!). Com a matemática podemos fazer previsão do tempo, calcular intensidade de terremotos, e até estipular os efeitos danosos que o desflorestamento acarretará para a temperatura do nosso planeta. Além disso, a matemática está bastante presente nas leis da física e da química, ajudando-nos a compreender o mundo em que vivemos cada vez mais fielmente.
![]() |
| Geometria Molecular |
Então vamos à nossa questão: na minha concepção, a ciência coexiste com a espiritualidade. Nossas descobertas científicas, na verdade, são descobertas dos feitos divinos no universo, todas as leis físicas, químicas e biológicas derivam da vontade divina. Por que ele fez isso? Não sei dizer, mas simplesmente não é possível esse universo ser tão perfeito ao acaso. Há um grande engenheiro matemático por trás de tudo isso.
Aí vem a pergunta: mas se dá pra explicar tudo através da matemática, poderemos prever o futuro de tudo e de todas as coisas? Aí, meu caro, depende da sua concepção de futuro, mas na minha não. Tudo que acontece na nossa vida é derivado das probabilidades matemáticas. As coisas, na minha concepção, acontecem devido a inúmeras variáveis, como lugar, tempo, pessoas, meio ambiente, concepções culturais, individuais ou coletivas, entre muitas outras. Cada combinação dessas quase infinitas variáveis gera um possível futuro, para cada pessoa, lugar, nação, objeto, animal, ou seja, tudo. Com a tecnologia que nós temos hoje, é impossível analisar tantas variáveis tão complexas, o que não quer dizer que daqui a alguns séculos não tenhamos essa possibilidade, visto que a poucos séculos atrás sequer podíamos nos comunicar de uma cidade para a outra sem levar várias horas e até dias. Mas se um dia formos capazes de processar tantas informações forem necessárias, poderemos sim relatar todas as possíveis consequências que determinadas ações poderão gerar, porém, ainda assim, não poderemos dizer qual delas irá acontecer. Podemos dizer o que é mais provável acontecer, mas nunca o que de fato irá acontecer. Aí entra o acaso. Aí entra Deus, nas nossas vidas.
É válido lembrar que eu to falando da natureza, não das relações humanas. Essas últimas são ainda muito mais complexas, e seu entendimento beira a impossibilidade. O foco aqui é mostrar como a matemática, junto com as outras ciências naturais, poderão explicar tudo, ou praticamente tudo, de como as coisas da natureza acontecem. Além do que, aqui, não to tentando justificar o porquê de Deus nos criar, ou interferir nas nossas vidas, e sim que ao criar tudo, fez com um toque matemático.
Não sei se consegui passar bem o que eu queria, confesso (são 04:35 da manhã), mas se alguém captou o que eu quis dizer, e tiver mais exemplos do toque matemático de Deus, ficarei super grato. Quem não concorda, beleza. O importante é se sentir feliz e praticar o bem, seja lá em que você acredita. 0/
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