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terça-feira, 17 de abril de 2012

Deus é Matemático


Olá, galera!

Nessa minha postagem de retorno, tenho certeza que muita gente não vai concordar comigo, mas pretendo apenas expor uma concepção de mundo que eu tenho há muito tempo. Então podem vir as críticas, sem problemas.

Dia de segunda-feira a noite aqui em casa geralmente assistimos ao CQC da Band, um programa que já foi melhor antigamente, mas que ainda rende algumas boas risadas. No entanto, o jantar em família de algumas horas atrás nos fez esquecer do programa que vemos rotineiramente, isso porque começamos a falar sobre alguns assuntos que podem ser facilmente discutidos em ocasiões como essa: Religião, viagem no tempo, Positivismo, Filosofia, Big Bang, Matemática, Teoria do Caos, Probabilidade, surgimento da vida, alienígenas, futuro da humanidade, entre outros.

Enfim, foi um jantar pra lá de proveitoso, que durou horas e nos fez esquecer da programação rotineira. Porém eu vim aqui falar da opinião que eu externei para os meus familiares, na tentativa de fazer com alguém concorde comigo, já que eles o fizeram no máximo de forma parcial. Minha teoria (quando digo minha, não quero dizer que eu a criei ou que ninguém tenha falado sobre isso antes de mim, e sim que eu sempre pensei dessa forma) é que o que concebemos hoje como Deus, criador de tudo e de todos, é o maior matemático de todos os tempos.


Ou talvez um engenheiro, que seja, o importante é que ele gosta muito de matemática. Talvez você esteja pensando: "Lá vem esse positivista dizer que a ciência explica tudo!", mas calma, deixa eu tentar explicar, antes de você discordar.

Muita coisa que diz respeito à natureza, seus fenômenos como as chuvas, terremotos, disposição de átomos, leis da física, etc., podem ser explicadas através de recursos matemáticos. Existem coisas realmente surpreendentes na natureza pra simplesmente terem sido obras meramente do acaso. Um bom exemplo disso é a relação entre o animal aquático nautilus, a disposição dos galhos de uma planta e sequência de Fibonacci. Pra quem não lembra, Fibonacci foi um grande matemático italiano nascido no século XII, o qual ficou conhecido, entre outras coisas, por ter elaborado uma sequência de números que começava com o número 1 e os próximos números eram a soma dos dois números anteriores: 1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89... 

O formato do Náutilus se dá conforme a sequência de Fibonacci.

Achilla  ptarmica
A quantidade de galhos de uma planta cresce conforme a sequência, também.

Há muitos outros exemplos, inclusive com o chamado "Número de Ouro" da natureza, que podem ser vistos nesse site:  http://www.educ.fc.ul.pt/icm/icm2002/icm203/numeros.htm (Vale muito a pena dar uma conferida, não custa nada!). Com a matemática podemos fazer previsão do tempo, calcular intensidade de terremotos, e até estipular os efeitos danosos que o desflorestamento acarretará para a temperatura do nosso planeta. Além disso, a matemática está bastante presente nas leis da física e da química, ajudando-nos a compreender o mundo em que vivemos cada vez mais fielmente.

Geometria Molecular

Então vamos à nossa questão: na minha concepção, a ciência coexiste com a espiritualidade. Nossas descobertas científicas, na verdade, são descobertas dos feitos divinos no universo, todas as leis físicas, químicas e biológicas derivam da vontade divina. Por que ele fez isso? Não sei dizer, mas simplesmente não é possível esse universo ser tão perfeito ao acaso. Há um grande engenheiro matemático por trás de tudo isso.

Aí vem a pergunta: mas se dá pra explicar tudo através da matemática, poderemos prever o futuro de tudo e de todas as coisas? Aí, meu caro, depende da sua concepção de futuro, mas na minha não. Tudo que acontece na nossa vida é derivado das probabilidades matemáticas. As coisas, na minha concepção, acontecem devido a inúmeras variáveis, como lugar, tempo, pessoas, meio ambiente, concepções culturais, individuais ou coletivas, entre muitas outras. Cada combinação dessas quase infinitas variáveis gera um possível futuro, para cada pessoa, lugar, nação, objeto, animal, ou seja, tudo. Com a tecnologia que nós temos hoje, é impossível analisar tantas variáveis tão complexas, o que não quer dizer que daqui a alguns séculos não tenhamos essa possibilidade, visto que a poucos séculos atrás sequer podíamos nos comunicar de uma cidade para a outra sem levar várias horas e até dias. Mas se um dia formos capazes de processar tantas informações forem necessárias, poderemos sim relatar todas as possíveis consequências que determinadas ações poderão gerar, porém, ainda assim, não poderemos dizer qual delas irá acontecer. Podemos dizer o que é mais provável acontecer, mas nunca o que de fato irá acontecer. Aí entra o acaso. Aí entra Deus, nas nossas vidas.

É válido lembrar que eu to falando da natureza, não das relações humanas. Essas últimas são ainda muito mais complexas, e seu entendimento beira a impossibilidade. O foco aqui é mostrar como a matemática, junto com as outras ciências naturais, poderão explicar tudo, ou praticamente tudo, de como as coisas  da natureza acontecem. Além do que, aqui, não to tentando justificar o porquê de Deus nos criar, ou interferir nas nossas vidas, e sim que ao criar tudo, fez com um toque matemático.

Não sei se consegui passar bem o que eu queria, confesso (são 04:35 da manhã), mas se alguém captou o que eu quis dizer, e tiver mais exemplos do toque matemático de Deus, ficarei super grato. Quem não concorda, beleza. O importante é se sentir feliz e praticar o bem, seja lá em que você acredita. 0/

sexta-feira, 13 de abril de 2012

O mercado de carbono: ou a natureza como uma mercadoria qualquer.

Com a constituição do capitalismo se consolidou uma perspectiva que marcou a história da humanidade a partir de então: a concepção de que o homem é um ser apartado da natureza. Essa mudança de cosmovisão mudou radicalmente a relação entre ambos. Daí em diante caberia ao homem dominar, subjugar a natureza para o atendimento pleno de seus interesses. A ciência integra o processo como uma das grandes viabilizadoras desse domínio.

Alçada a condição de uma mercadoria como qualquer outra a natureza passou a ser uma commoditie importante para a reprodução ampliada do capital. O fato novo é que agora até o ar pode ser comercializado: é o mercado de carbono. Caso essa nova modalidade de exploração capitalista seja efetivamente implantada as consequências tendem a ser nefastas para todos(as) nós.

Tal mercado, se constituído, permitirá às grandes corporações econômicas e aos Estados nacionais mais poderosos (Estados Unidos, China, França, Alemanha, Japão e outros) negociarem o direito de poluir a atmosfera, pagando aos demais países por esse direito através da compra de títulos na bolsa de valores: é a carbonificação da economia ou a financeirização da natureza. Como tudo no capitalismo, a ideia é proporcionar imensos lucros a essas corporações e seus Estados com a crise ambiental. É isso mesmo: a crise ambiental se transformou numa mercadoria valiosa, mesmo que isto venha agravar os riscos à nossa própria existência enquanto espécie.

Até mesmo desmatar passa a ser um ótimo negócio, pois a floresta nativa pode ser substituída por espécies exóticas como pinus, eucalipto, acácia, palma e outras, dizer que a área foi reflorestada e que está sendo realizado importante serviço à humanidade com a captura de carbono por essas espécies. A EMBRAPA e outras instituições de pesquisa estão aí mesmo para demonstrar "cientificamente" que o carbono está sendo retirado da atmosfera, permitindo, então, às corporações econômicas emitirem títulos nas bolsas de valores e auferir fabulosos lucros com isso.

Os defensores dessa estratégia também denominada economia verde tentam a todo custo convencer a sociedade de que o mercado é a melhor alternativa à crise ambiental. Buscam consolidar a ideia de que não há necessidade de qualquer mudança estrutural do próprio sistema, que basta a adoção de instrumentos “mais eficientes” de mercado para que o problema seja solucionado. Aí surgem siglas e mais siglas que muitos(as) de nós sequer conhece o significado: REDD, REDD+, REDD PLUS e tantos outros. Por trás desse emaranhado de letras escondem-se interesses poderosos. Em comum, a tentativa de garantir a livre expansão do capital e o controle de territórios e seus recursos.

Na (Pan)Amazônia muitas empresas (nacionais e estrangeiras) buscam freneticamente estabelecer acordos comerciais com povos indígenas através de contratos. Quando lemos tais contratos vemos com clareza que o objetivo é garantir aos conglomerados econômicos o controle dessas áreas, da sua biodiversidade, enquanto que às comunidades se pretende repassar recursos que nem de perto se aproximam dos lucros que serão obtidos pelas empresas, bem como as responsabilidades legais e financeiras de manter a área preservada.

Às medidas abordadas acima para garantir o acesso, uso e controle de territórios soma-se a execução de grandes projetos de infraestrutura na (Pan)Amazônia. Hidrelétricas, portos, aeroportos, hidrovias, rodovias, gasodutos, sistemas de comunicação, redes de energia e postos de fronteira estão sendo implantados para garantir justamente a expansão acelerada do capital na nossa região, cujos impactos socioterritoriais têm sido nefastos às populações tradicionais e outros segmentos, em particular às mulheres e jovens.

Denúncias de operários(as) submetidos(as) a condições análogas à escravidão, violência sexual, prostituição de adolescentes, disseminação do consumo de drogas, particularmente do crack, assassinatos e outras formas de violência são comumente registrados nas áreas onde estão sendo executados os empreendimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da Iniciativa para a Integração da Infraestrutura Regional Sul-Americana (IIRSA). É o que ocorre, por exemplo, nas regiões impactadas pelas hidrelétricas Santo Antonio e Jirau no rio Madeira, em Rondônia, e em Belo Monte, no Pará.

Enquanto isso a industria barrageira como Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa, Suez Energia, Furnas, Eletronorte e outras também estão se mobilizando intensamente para que as hidrelétricas possam ser consideradas "capturadoras de carbono", a fim de também poderem vender títulos nas bolsas de valores.

Em junho haverá a Cúpula dos Povos no Rio de Janeiro paralelamente à Rio+20. Momento em que movimentos sociais e ongs do mundo inteiro tomarão as ruas para mostrar sua oposição à financeirização da natureza, pois a vida não tem preço!

Acompanhe esse debate.